A dança das cadeiras

China and Russia are quitting US dollar or at least significantly cutting the dollar share in their forex reserves.  Politically correct American analysts call this process “rapid forex reserves diversification”. In fact, some economists see this trend as a threshold in the unfolding world crisis because the whole pyramid of global finance is based on one simple fact – financial regulators around the world buy the US debt (dollar & treasuries) no matter what.

Retirado do artigo intitulado “A Geopolítica da Diversificação das Reservas em Moeda Estrangeira” do site www.globalresearch.ca

No governo Fernando Henrique, em que houve pagamento de outorgas, os pedágio acabaram saindo mais caros. Já nos leilões de 2007, no governo Lula, o modelo foi alterado e passava a vencer a disputa quem oferecesse o menor pedágio, sem que os vencedores conseguissem entregar as obras.

O TCU identificou falta de execução média de 80% nas obras obrigatórias previstas nos contratos das concessões feitas no governo Lula.

Trechos retirados do artigo intitulado “Rodovias S.A.” do jornal O Globo de 8 de dezembro.

            Prezados leitores, na semana passada eu afirmei neste espaço que acho que o PSDB e o PT, que têm divididoo poder federal há 20 anos, com predomínio do PT nos últimos 12 anos, têm o mesmo princípio ativo. Meu ponto é que eles seguem a mesma cartilha, e quem quer que queira ver alguma diferença entre eles está na verdade se atendo aos factóides que ambos emitem para conseguir eleitores. Mas os factóides não escondem uma verdade fundamental: tucanos e petistas, na dança das cadeiras que é nossa democracia, nada mais fazem do que cuidar dos seus interesses, e esquecem totalmente dos nossos, ou melhor, os atendem na medida, e somente na medida em que isso possa dar-lhes dividendos eleitorais.

            O que não é a guerra de dossiês se não uma tentativa de enlamear a reputação de uns e outros? Os petistas, tais como o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, valem-se de órgãos do governo como o CADE para revelar e explorar falcatruasnas licitações feitas pelo metrô de São Paulo sob a gestão dos tucanos. E o Ministério Público que faz investigações sobre propinas pagas pela Siemens?Como foram iniciadas as investigações? Para quem não sabe, elas podem ter como origem uma simples denúncia anônima, portanto qualquer um que queira destruir reputação de desafetos pode fornecer “dicas”que ensejem inquéritos civis pelos promotores.

          Os tucanos, por sua vez, que têm a Veja como sua porta-voz, agora apresentam como trunfo o livro de revelações do Romeu Tuma Júnior, que foi Secretário Nacional de Justiça no governo Lula, virou a casaca e agora lança acusações a respeito da mal explicada morte de Celso Daniel e afirma bombasticamente que o ex-metalúrgico era informante da polícia na época da ditadura. É a palavra de Romeu Tuma Júnior, que diz que seu principal objetivo é estar em paz com sua consciência e por isso está tornando públicos os “podres do PT”, como se ele tivesse passado incólume pela política e pelo governo, impolutamente singrando as águas fedorentas da corrupção que campeia, segurando a respiração até chegar ao fim do túnel da companhia de esgotos chamada governo federal do Brasil.

         Neste mar de acusações, nós os parvos eleitores e espectadores das marchas e contramarchas dos poderosos, nunca conseguiremos separar o joio do trigo. Se partirmos do pressuposto que todos os principais veículos deimprensa brasileiros tem algum interesse econômico em apoiar este ou aquele grupo político, o que nos é oferecido em termos de informações nunca passará pelo crivo de uma análise isenta de jornalistas que queiram unicamente cumprir a nobre função de manter os cidadãos conscientes do que os poderosos fazem. Ao contrário, quando leio as notícias na imprensa, sei exatamente aonde o autor do artigo quer me levar: ele quer que eu tome partido, seja vermelho ou azul, petista ou tucano. Fazendo minha opção, eu vou considerar tudo o que um lado diz como fatos e tudo o que o outro lado diz com calúnias que têm motivação política. Aliás, é sempre assim que nossos políticos se defendem: tudo que é contra eles têm motivação política e portanto não é crível.

           O que fazer diante de tamanha impotência: se tudo o que nos é apresentado como informação, seja pela imprensa, seja pelos políticos, na verdade é parcial e distorcido, qual atitude devemos tomar enquanto eleitores? Simplesmente deixarmo-nos levar pelo cinismo e considerar todos farinha do mesmo saco? Votar nulo sempre como resultado de tal triste constatação? Já expus aqui neste espaço minha decisão de não participar nos Fla-Flus do 2º turno, e só votar no 1º turno. Para mim é uma maneira de ainda dar-me a esperança de ter opções, de escolher um candidato que proponha aquilo que considero ser bom para o país.

            Assim, se tanto o PT quanto o PSDB escolheram privatizar toda a infraestrutura do Brasil, que pelo menos haja nas próximas eleições algum candidato que coloque como parte do seu programa dotar as agências reguladoras de mais competência para fiscalizar o que esses grandes consórcios estão de fato fazendo em termos de obras em troca das concessões adquiridas com financiamento do BNDES. Se tanto o PT e o PSDB encamparam a ideia da Copa e das Olimpíadas, que pelo menos eu possa votar em um candidato que tenha propostas detalhadas sobre como garantir que haja um legado desses eventos para os brasileiros, além das dívidas, e do elefante branco dos estádios.

         Será que é pedir muito que nós brasileiros, que vivemos sob a democracia, possamos ter governantes que cuidem de nossos interesses e não vivam somente na obsessão de se reelegerem? Na China e na Rússia parece haver essa noção do que deve fazer a liderança do país. Em 2002 as reservas em dólares da China estavam ao redor de 75%, em 2010, estavam em 54%. Entre o final de janeiro de 2013 e o final de julho, o Banco Central da Rússia diminuiu seu estoque de títulos do governo americano de US$ 164,4 bilhões para US$ 131,6 bilhões.

           Não é mera coincidência que haja agora uma queda de braço entre a União Europeia e os Estados Unidos de um lado, e a Rússia de outro a respeito da Ucrânia, um Estado fantoche, sempre sujeito a manipulações.Se o dólar perder o stauts de moeda das transações internacionais, será o fim da capacidade dos Estadios Unidos de se endividar impunemente, de ser polícia em todosos recantos do mundo. Oxalá um dia nossa democracia amadureça para conseguir ao mesmo tempo ser forte e coesa o suficiente para defender os interesses nacionais e ser pujante o suficiente para contemplar nossa diversidade étnica e cultural. Enquanto esse dia não vem, só resta a nós brasileiros assistirmos impotentes ao PSDB e ao PT roubarem a cadeira um do outro.

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Me engana que eu gosto

(…) as prefeituras são as que mais perdem receita com o represamento de tarifas como as de transporte urbano. Para compensar, elas aumentaram o IPTU, que não tem impacto direto na inflação, mas terá reflexo sobre aluguéis, que também pesarão no bolso dos brasileiros e sobre a inflação.

Trecho do artigo “Bomba-relógio armada” do jornal O Globo de 1º de dezembro de 2013

O objetivo do diálogo socrático, que frequentemente termina com um ponto de interrogação, é precisamente de permitir a Sócrates destruir o mestre no discípulo de modo a fazer nascer neste último o desejo de um verdadeiro controle sobre si mesmo, de uma έγχράτεια, levando-o a uma autonomia que somente o “conhece-te a mim mesmo” pode lhe proporcionar.

Trecho do livro Sócrates, de Jean Brun

            Prezados leitores, proponho-lhes uma pergunta: quem de nós nunca enganou a si mesmo? Quem nunca contou histórias para si mesmo para justificar um fracasso, para continuar a ter fé que uma determinada pessoa vai mudar ou que uma determinada situação desfavorável no momento vá ser revertida e mudar para melhor? Confesso a vocês que já fiz isso e as historinhas da carochinha que eu inventei fizeram-me sofrer. Sofri porque calculei mal as dificuldades para que a mudança que eu esperava ocorresse, e quando a mudança não veio, quando tudo ficou como antes, eu caí das nuvens. Mas como dizia o grande Machado de Assis, é melhor cair das nuvens do que do terceiro andar…

            De qualquer forma, decidi como uma escolha para minha pessoa particularmente e para ninguém mais, trilhar o caminho socrático do conhece-te a ti mesmo. No momento em que caí das nuvens decidi que é melhor olhar de frente para os pontos fracos e se não for possível melhorá-los, mudar de rota, seguir outro caminho em que meus pontos fortes possam sobressair. Mas digo que é uma solução pessoal porque nem sempre estamos preparados para lidar com certas verdades inconvenientes a nosso respeito, principalmente quando não enxergamos pontos fortes sobre os quais possamos nos apoiar. Por isso muitas pessoas continuam a contar histórias para si mesmas.

            Acho que ocorre a mesma coisa com sociedades como um todo. Há certas sociedades que têm uma maior propensão para deixar-se enganar, outras preferem encarar a verdade. Talvez seja muito cedo para eu dizer isso, mas o resultado das manifestações que ocorreram no país em junho parecem indicar que nós brasileiros preferimos nos refestelar no conforto das ilusões. Vou tentar demonstrar minha afirmação.

            Quantas vezes não ouvimos ao longo destes meses que avançamos, que a sociedade brasileira e sua nova classe média emergente mostraram estar mais exigentes em termos de serviços públicos de qualidade, blá, blá blá. Hoje no rádio ouvi de um publicitário que os protestos que ocorreram durante a Copa das Confederações  foram positivos para as empresas que souberam aproveitar o momento. No calor da batalha, quando havia manifestações quase que diárias, os congressistas lançaram alguns factóides para darem alguma satisfação, como não aprovarem a emenda constitucional que de acordo com seus detratores iria diminuir os poderes de investigação do Ministério Público, e houve a proposta de uma mini reforma eleitoral que acabou aprovada. Mais importante, o preço da tarifa de transporte público não foi aumentado, o que era o objetivo inicial do movimento pelo passe livre. O povo unido jamais será vencido!

            Passados seis meses das maiores manifestações populares desde a Campanha das Diretas, para quem como eu prefere encarar de frente os fracassos, eu diria que o resultado foi uma tremenda empulhação. Sim, é verdade que os preços da passagem de transporte público não aumentaram, mas isso é um mero represamento, para usar uma palavrinha do economês, para não acirrar os ânimos e a perda da receita já está sendo compensada, como em São Paulo, por exemplo, com aumentos no IPTU, ou seja, haverá uma mera transferência da conta dos usuários de ônibus para os proprietários de imóveis e para os que pagam aluguel. Alguns dirão que é uma justa distribuição de renda. Talvez. Mas de qualquer forma foi a solução mais fácil, empurrar a conta goela abaixo por meio do aumento de imposto que é objeto de lançamento de ofício pelo Estado, isto é, recebemos o boleto de pagamento em casa como presente todo começo de ano.

            O difícil, e o que não foi feito, era encontrar uma maneira que não penalizasse a economia, que não tornasse bens e serviços mais caros, quem sabe tornando a Administração Pública menos corrupta, mais eficiente no gasto do nosso dinheiro, em outras palavras realizando um choque de gestão, para parafrasear o famoso discurso do finado Mário Covas na campanha presidencial de 1989, que pedia (sincera ou insinceramente eu não sei) um choque de capitalismo no Brasil, de iniciativa privada. O fato é que mesmo aqueles que foram beneficiados pela tarifa de transporte que não aumentou serão prejudicados de uma maneira ou de outra: o lojista que paga aluguel vai repassar o maior custo aos preços, o indivíduo que mora em apartamento alheio e anda de ônibus vai economizar em uma ponta para perder na outra. No frigir dos ovos, o congelamento do preço do transporte público não trouxe um benefício real para a sociedade como um todo: todos os protestos, as convocações pelo facebook, os twitters, os cartazes com frases de efeito, as faixas não foram capazes de mover uma palha em prol de um salto de qualidade na Administração Pública, que se vê premida pelos gastos a tirar o dinheiro de alguém para que o show possa continuar.

            Agora estão nos prometendo que as novas concessões dos aeroportos e rodovias vão proporcionar a melhora nos serviços por que lutamos em junho. Não há dúvida que haverá recapeamento de estradas esburacadas, que o Galeão, Confins, Viracopos, Congonhas, ficarão mias bonitos, coloridos, espaçosos. Mas a que preço? O fato é que as tarifas aeroportuárias, os pedágios vão aumentar, afinal a Odebrecht e outras não celebrariam um contrato de concessão pelo nobre objetivo de dotar o país da infraestrutura tão necessária. Essas empresas estão no negócio porque o governo está vendendo esses direitos de exploração para fazer caixa e cumprir suas metas de superávit fiscal, dando uma satisfação ao público oportunamente para fazer efeito nas eleições. Aliás, isso não é novo: FHC passou várias estatais nos cobres para dotar o país das reservas em dólares necessárias para acolchoar o combate à inflação. O PT é uma versão genérica do PSDB: o princípio ativo é o mesmo, embora seja mais popular. O PSDB tem um ar de laboratório suíço que faz remédios de grife, o PT se vangloria do seu pé na Índia dos genéricos, mas o resultado é sempre nos enfiado goela abaixo.

            As pessoas de bom senso dirão que não há alternativa às concessões, porque o Estado brasileiro não tem dinheiro. Ouço isso desde que me entendo por gente. Mas o fato é que esse tipo de modelo de Estado em penúria que pede ajuda da iniciativa privada para realizar tarefas que são suas, isto é, prestar serviços públicos, serve os interesses de certos grupos. Como diz o economista americano Michael Hudson, “o objetivo do setor financeiro sempre foi o de converter toda a renda, desde os lucros das empresas até as receitas tributárias do governo, em serviço da dívida.” E é o que estamos fazendo. O governo, na pindaíba, vende concessões a empresas que pegarão dinheiro emprestado dos bancos para fazer os investimentos prometidos em troca do direito de exploração. Para pagar os empréstimos e manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos (a que todo aquele que assina contrato administrativo tem direito) a concessionária vai repassar os custos para os usuários. Mais uma vez é a mesma história: teremos daqui há alguns anos melhor infraestrutura, mas a um preço escorchante que garante o lucro dos bancos, das empresas e de todos aqueles responsáveis pela  gastança ineficiente do Estado.

            Prezados leitores, posso estar sendo hiper realista, mas prefiro enxergar o lado negro das coisas para me preparar melhor para o que vem por aí como presente a nós brasileiros que exigimos melhores serviços públicos me junho: preços mais altos e menos dinheiro no meu bolso.

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A Teoria da Conspiração continua

            “… and many terrifying but quite comprehensible official scoundrels die natural deaths in all the glory of the kingdoms of this world, proving that it is  far more dangerous to be a saint than to be a conqueror.”

Bernard Shaw, dramaturgo irlandês (1856-1950)

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos ponto brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

            Prezados leitores, para quem me acompanha semanalmente, meu último artigo teve como intróito a revelação da minha convicção de que não acho que as histórias oficiais sobre a morte de Osama Bin-Laden e de John Kennedy sejam reais. Nesta semana, pretendo dar-lhes mais detalhes sobre os motivos por que acredito em conspirações paralelas a respeito desses dois assuntos. Não tenho a pretensão de convencer ninguém de nada, porque não havendo evidências incontestáveis, mas apenas indícios, fica difícil vencer o preconceito das pessoas. Uso a palavra preconceito em um sentido não pejorativo, querendo dizer as convicções prévias de cada indivíduo. E como é natural, nossas convicções acabam determinando nosso olhar sobre a realidade, fazendo com que descartemos o que poderia ter o condão de abalá-las de maneira irreversível.

            Não acredito que isso signifique que não sejamos capazes de uma análise imparcial dos fatos. O preconceito é inevitável, mas ele tem um lado bom: quando nos deparamos com algo exterior que os desafia nossa reação é sempre tentar digerir a ameaça, tentar explicá-la de alguma forma com base nas nossas convicções. Nossa mente é obrigada a reagir e em assim fazendo seremos obrigados a ao menos ajustar nossas ideias, fazer uma sintonia fina para que possamos continuar a acreditar nelas. Afinal de contas, a fé não religiosa tem limites, é preciso haver credibilidade, não conseguimos acreditar a despeito de tudo. Minha esperança toda vez em que escrevo algo é que aquilo que coloco em minha página na internet não seja descartável nesse sentido, que ele seja forte o suficiente para que a pessoa precise sintonizar novamente o seu rádio mental.

            Devo começar com aquilo que prometi, os indícios. Quanto ao Osama Bin Laden, há várias fontes que noticiaram sua morte em 26 de dezembro de 2001. O jornal egípcio Al-Ward publicou um obituário naquela data e pasmem, a Fox News, no seguinte site: http://www.foxnews.com/story/2001/12/26/report-bin-laden-already-dead/. Digo pasmem porque a caça a Bin Laden foi a justificativa usada pelos Estados Unidos para invadirem o Afeganistão, e a Fox News sempre apoiou as investidas militares americanas na luta contra o terrorismo. O fato de essa notícia ter passado em brancas nuvens não é algo a se admirar, porque se Osama Bin Laden, que já sofria há muitos anos de insuficiência renal, morreu de causas naturais, não teria sido possível justificar a prolongada presença do exército americano na Ásia Central e não teria havido a oportunidade de um presidente americano posar de vencedor triunfante com a história sensacional dos SEALs matando o inimigo nº 1 dos Estados Unidos. Prezados leitores, sei que vocês não se cansam de ver os SEALs nos filmes hollywoodianos: rapazes tatuados, fortes, capazes de ações espetaculares, de se lançarem de pára-quedas no mar à noite e que a invasão do cafofo do Bin Laden no Paquistão se encaixa à perfeição no script, mas  o próprio serviço de inteligência de Israel considerava Bin Laden como morto no final de 2001 e tendo sido substituído por seu filho Saad, conforme noticiado em 16 de outubro de 2002 pelo www.worldtribune.com (desculpem, mas neste caso eu não consegui acessar a notícia daquela época) .

            Passemos agora a John Kennedy. É preciso em primeiro lugar um motivo plausível. Na semana passada eu mencionei a Operação Northwoods, sem dar mais detalhes. Era um plano proposto pelo Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas para a realização de atos de violência reais e falsos contra cidadãos americanos, culpar Fidel Castro e utilizar os factóides para conseguir a derrubada do regime socialista na ilha. Kennedy foi contra tal operação, assim como foi contra um ataque à União Soviética enquanto os Estados Unidos ainda estivessem em posição de vantagem. O presidente tinha dado sinais de que iria retirar as tropas americanas do Vietnã e que iria desmembrar a CIA em várias unidades. Além disso, ele negociou secretamente com Khrushchev para debelar a crise dos mísseis, o que foi considerado como sendo uma contemporização com o comunismo em uma época em que a missão americana no mundo era combatê-lo sem trégua.

            Assim, havia vários motivos para John Kennedy ter angariado inimigos em Washington. Houve até a publicação de um livro em 2008 de James W. Douglass, “John Kennedy and the Unspeakable” contando detalhes do complô do assassinato cujos protagonistas foram o Serviço Secreto, a CIA e o Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. Prezados leitores, com relação ao Kennedy não lhes apresentarei o livro por razões óbvias e muito menos artigos de jornal, pois se trata de uma época em que a internet era coisa de ficção científica. O que lhes ofereço como indício é este vídeo cujas imagens tenho certeza colocarão uma pulga atrás da orelha de vocês http://www.lewrockwell.com/2013/11/james-huang/must-watch-video/. Ele mostra os seguranças do Serviço Secreto, que acompanhavam a limusine onde Kennedy desfilava em Dallas, de uma ora para a outra pararem de acompanhá-la. O mais impressionante é o semblante atônito de um dos guardas, que recebe a ordem para parar de se deslocar e deixar o presidente desprotegido e parece estar perguntando pelos gestos que faz o que está ocorrendo pois não está entendendo nada.

            A verdade é sempre uma flor, que nasce tímida, raquítica, temerosa de ser esmagada por aqueles para quem ela representa uma ameaça. E pior, a verdade é feia, e muitas vezes confundimos anúncios espalhafatosos com verdades. Aqueles que falam verdades no início são estigmatizados, vilipendiados. Depois de serem eliminados ou quando o que falavam já não ameaça mais ninguém poderoso eles são idolatrados e manipulados. Não sou santa profetisa de verdades nem conquistadora que quer calar verdades inconvenientes. Apenas trazer uma contribuição intelectual aos meus leitores. Quem sabe um dia a história oficial sobre o assassinato de John Kennedy e de Osama Bin Laden seja finalmente modificada e eu possa lhes falar: eu disse não disse?

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Teoria da Conspiração

Ela tem o compromisso com o brasileiro que precisa mais do governo. Tem muita gente que gostaria que nem existisse Estado – o sujeito que produz, entrega parte para o Estado e recebe de volta uma infraestrutura toda deficiente, por exemplo. Mas, para a maioria da população, o Estado é a solução. E, para esse povo, a Dilma tem o que mostrar.

 Trecho da entrevista de Cid Gomes, governador do Ceará, nas páginas amarelas da Veja

 Agências ficam à míngua – Redução de gastos deixa Anatel, Anac e Aneel sem recursos para fiscalização e atendimento

 Manchete do caderno de economia do jornal O Globo de 17 de novembro

            Prezados leitores, eu me considero uma conspiracionista. Esse meu estado de espírito vai muito além de achar que John Kennedy, cujo assassinato completa 50 anos, não foi morto por Lee Harvey Oswald, mas por gente de dentro do governo que queria realizar a Operação Northwoods à qual Kennedy se opunha; que Osama Bin Laden já tinha morrido de insuficiência renal muito antes de Barack Obama ter anunciado de maneira triunfal sua eliminação por um grupo de SEALs (lembrem-se que a materialidade de um crime é obtida pela apresentação do corpo, o que não aconteceu com Osama, que segundo os americanos foi jogado no mar); que a Princesa Diana foi morta por agentes do SAS inglês devido ao seu envolvimento embaraçoso com muçulmanos; que Fukushima é um acidente nuclear sem grandes consequências. Em tudo isso eu acredito, mas não tentarei convencer quem me lê porque não tenho provas cabais, simplesmente confio na palavra de certas pessoas que desconfiam das versões oficiais. Argumentar aqui seria perda de tempo, pois é mera questão de fé. Talvez daqui a algumas décadas, a verdade venha à tona sobre esses episódios, mas nem eu nem meus leitores estaremos nesta Terra. Só me aventurei a falar de Fukushim, porque a perspectiva de ser o desastre ambiental que marcará para sempre a história da humanidade levou-me a compartilhar minha angústia com vocês.

            Meu conspiracionismo tem um lado que acredito seja mais palatável, que é o de acreditar que há certos grupos na sociedade que tramam e se unem a outros para obter vantagens, às custas dos grupos que ficam fora das negociações. Eu não me canso de repetir isso aqui neste meu humilde espaço, mas infelizmente não consigo me calar porque é algo que afeta nossas vidas cotidianamente. Não estou aqui a falar da luta de classes de Marx, porque para ele, pelo menos do que sei do Velho Barbudo, a luta de classes é uma chave de explicação e uma espécie de motor contínuo da História. Para minha mentalidade burguesa, acho que deveríamos criar condições na sociedade não para que esse embate fosse eterno, mas para que pudéssemos chegar a uma entente cordiale. Isso parece estar cada vez mais difícil neste nosso mundo globalizado.

            Nos Estados Unidos, o desemprego atinge níveis alarmantes e a única coisa que o governo sabe fazer é imprimir mais dinheiro para manter os bancos à tona e poderem continuar fingindo que tudo está bem. (Aliás, para quem queira ler uma sátira muito inteligente sobre esse estado de coisas, sugiro esta pequena notícia tirada do realismo fantástico: http://www.theonion.com/articles/recessionplagued-nation-demands-new-bubble-to-inve,2486/). Na Europa a salvação do euro e do projeto da Europa tão querido aos burocratas ciosos do seu ganha-pão justifica tudo, vender tudo a preço de banana, oferecer cidadania européia a quem pagar mais, deixar os cidadãos comuns em situação desesperadora. E no Brasil? Eu seria tola se dissesse que estamos em uma situação tão desesperadora, afinal temos taxa de desemprego de 5,4% atualmente, mas mesmo assim acho que há uma grande conspiração.

            O próprio governador do Ceará que apóia a reeleição de Dilma, admite que o governo federal não faz nada para quem produz, mas simplesmente para aqueles que precisam do governo para sobreviver. Ele implicitamente se refere aos beneficiários do Bolsa Família, dos aumentos reais do salário mínimo. Eu modestamente incluiria aqueles que vivem da dívida do governo, e das benesses VIPs do governo. Afinal, a falta de dinheiro para as agências reguladoras é conseqüência direta das engenharias financeiras necessárias para ter o superávit fiscal primário e pagar os juros da dívida. Portanto, para o “sujeito que produz”, como diz Cid Gomes, o sujeito que precisa ter aeroportos funcionando, aviões voando, ferrovias e hidrovias para escoar a produção, serviços de telefonia eficientes e a preço justo, planos de saúde regulados, estradas em que não se corra o risco de morrer, o que o governo oferece é muito pouco, para não dizer outra coisa. A outra coisa a que me refiro inclui aumentos de impostos como aquele que o Sr. Prefeito Fernando Haddad de São Paulo impôs no IPTU de até 19% com a justificativa de que vai construir conjuntos habitacionais populares. Espero que esse dinheiro que sairá do meu bolso não se esvaia pelo mesmo ralo por que passou o dinheiro que os ficais do ISS deixaram de cobrar dos seus amigos.

            Essa receita de Estado para certos grupos em detrimento dos outros tem dado muito certo nesse nosso Brasil em termos de eleições, ela têm sido a base da nossa democracia. A maioria que não tem elege os candidatos aprovados pela minoria que recebe a parte do leão das benesses e que consente que certas migalhas sejam dadas à maioria que vota para que os interesses dessa minoria influente sejam mais bem servidos. Na segunda página do caderno de economia do Globo há uma entrevista com o Secretário da Receita Federal, que perdeu muitos poderes de fiscalização nos últimos tempos porque aparentemente a prioridade do governo é oferecer parcelamentos de dívidas para multinacionais, as quais, a propósito, em grande parte gozam de monopólios de mercado no Brasil.

            Este é o script que vem sendo seguido à risca: Estado distributivista e ineficiente, que atende a fila preferencial à perfeição, mas que faz o cidadão comum, que não se encaixa em nenhuma categoria privilegiada, penar cotidianamente com impostos altos, infraestrutura deficiente, para utilizar as palavras do excelentíssimo governador, custo de vida que só faz crescer. Não gosto desse filme que se desenrola à minha frente, por uma simples razão: não fui chamada a dar palpites no roteiro. Eu voto, mas nossa democracia é meramente um plebiscito sim ou não a cada quatro anos, sem que haja nuances nas escolhas. Não tenho controle sobre o que os legisladores fazem, muito menos nas instituições que supostamente exercem controle. A mim todos parecem membros de uma única patota que conspiram contra mim. Posso estar esquizofrênica e sofrendo com as alucinações típicas da doença, mas não vejo um grande futuro a longo prazo para o Brasil como um todo como resultado desta grande conspiração.

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Fukushima, a verdadeira celebridade

“Quando penso no futuro de Fukushima, parece que a liberação da radiação será praticamente inevitável. Os níveis de radiação nos prédios 1, 2 e 3 está agora tão alto que nenhum ser humano pode entrar nos núcleos derretidos ou chegar próximo deles. Portanto, sera impossível remover esses núcleos por milhares de anos, se é que será possível.”

(..) um dos primeiros passos que o governo japonês deveria realizar para impedir consequências graves será cancelar os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020.

Helen Caldicott, física australiana opositora da energia nuclear

Em agosto de 2013, quase dois anos e meio após o acidente nuclear, verificaram-se vários vazamentos de material radioativo e, ainda, a possibilidade de um grande transbordamento de água contaminada com material radioativo para o Oceano Pacífico, colocando em estado de emergência o complexo nuclear de Fukushima e acirrando as pressões sobre a Tepco. O governo do Japão acredita que os vazamentos de água estejam ocorrendo há dois anos.

A Tepco havia construído uma barreira subterrânea junto ao mar, mas a água proveniente dos reatores danificados está passando por cima da estrutura de contenção. Segundo um dirigente do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o volume de água despejado diariamente no Pacífico é de aproximadamente 300 toneladas por dia. Segundo o jornal Asahi Shimbun, uma força-tarefa do governo japonês calculou em três semanas o prazo para a água contaminada chegar à superfície.

Retirado do verbete “Acidente em Fukushima” da Wikipedia

            Quando eu resolvi ter meu próprio espaço virtual para escrever, convenci-me a fazê-lo respaldada na convicção de que eu poderia apresentar um ponto de vista diferente ou fatos pouco divulgados que pudessem ser úteis aos meus leitores: úteis para saberem de algo que não sabiam ou para pensarem algo que nunca tinham pensado. Inovar é algo muito difícil, especialmente em um mundo em que temos excesso de tudo, ainda que obviamente muito mal distribuído. Sempre que sento na cadeira para escrever um artigo pergunto a mim mesma: o que estou trazendo que não pode ser lido nos jornais e nos sites de notícias mais conhecidos na internet? Se eu não consigo me convencer de que o que vou escrever vai além da minha própria personalidade e serve para outros eu desisto. Afinal, auto-idolatria e narcissismo brotam como erva daninha na internet, todos querendo chamar atenção para si, para quão especiais eles são. E na verdade como diz o velho ditado, o cemitério está cheio dos insubstituíveis…

            Dito isso, minha contribuição dessa semana procura passar ao largo de assuntos que deram notícia. Acho engraçado como nós, os bem pensantes, falamos mal das celebridades e no entanto ficamos obcecados com elas. Neste domingo li um artigo de página inteira, escrito por um acadêmico, sobre Alexander de Almeida, considerado um dos reis da noite de Sâo Paulo pela Veja. Mesmo que o artigo fosse de crítica, o fato é que para uma celebridade, independentemente do julgamento moral que se faça sobre ela, o importante é que ela fique em evidência. Julgamentos morais hoje são irrelevantes em vista do valor principal que é consumir, portanto quando falamos sobre celebridades estamos fazendo o jogo delas. A única maneira de não encorajarmos o seu culto seria simplesmente ignorá-las.

            O mesmo ocorre com outro tipo de celebridade, os políticos. Nossos jornais dedicam páginas e página às novas leis, aos novos programas, às alianças dos polítcisos, suas marchas e contramarchas na dança pelo poder. Sou da opinião que se deixássemos de dar importância aos políticos como pessoas e passássemos a focalizar as políticas concretas que são executadas no Brasil, como elas de fato se desenrolam, que resultados elas alcançam independentemente de quem tenha tido a ideia original, tenho certeza que nossa conscientização sobre nossos problemas e as possíveis soluções aumentaria. Mas isso seria pedir muito, porque afinal é muito mais palatável e divertido ver a política como um embate dos poderosos, tucanos versus petistas, Dilma versus Aécio, conservadores versus progressistas: sempre haverá os perdedores e os ganhadores e esse tipo de raciocínio é muito enraizado em nossas mentes.

            Meu assunto é a tragédia de Fukushima, que se desenrola desde 11 de março de 2011. Não tenho condições de entrar nas minúcias do que ocorreu lá porque não sou física nem engenheira nuclear. Meu objetivo aqui é chamar a atenção dos meus leitores para algo tão importante, que terá repercussõesmundiais e que no entanto é tratado de maneira secundária. Repercussões mundiais não só pela água radioativa que está sendo lançada no Oceano Pacífico, pelos reatores que ainda estão queimando, sem possibilidade alguma de serem desligados. As emissões radiativas podem tornar a vida no Norte da Terra perigossísima, e não haveria a possibilidade de transferir um bilhão de habitantes para o Sul do Equador, que ficvaria a salvo da radiação.

          Outro dia assisti na televisão a uma reportagem sobre donas de casa em Seul, na Coreia, que compram peixes somente em lugares em que há medidores de radiação e não há produtos originários do Japão. Infelizmente desastres ambientais não dizem respeito a uma determinada região, mais cedo ou mais tarde todos que estão na Mãe Terra, como diria o historiador britânico Arnold Toynbee, serão afetados. Afinal, as águas radioativas que estão sendo despejadas no Pacífico correrão o mundo.

           Nem os japoneses e muito menos a comunidade internacional está sendo informada da seriedade da coisa. Tóquio foi escolhida como sede das Olimpíadas de 2020 como se o Japão continuasse a ser um país normal, quando na verdade tornou-se um país condenado a ver a incidência de câncer aumentar exponencialmente, a ver partes do seu exíguo território serem consideradas absolutamente inabitáveis.Aliás, se não tivesse havido o tsunami e os reatores sido invadidos pela água, hoje pelo menos metade do Japão já estaria totalmente imprestável. O Japão é um páis amaldiçoado para sempre por Fukushima e no entanto, a mentalidade é de “business as usual”.

          Prezados leitores, talvez muitos de vocês já sabiam do que está verdadeiramente ocorrendo em Fukushima e portanto minhas informações são irrelevantes. De qualquer forma, meu objetivo foi mostrar que um tipo de acontecimento em que não há protagonistas, não há heróis nem vilões especiais, mas apenas incompetência democraticamente distribuída entre o governo e o setor privado, passa despercebido pela mídia. Eu posso estar sendo pessimista, e só o tempo é o senhor da razão, mas um acontecimento tão enfadonho e técnico como um acidente nuclear poderámudar para sempre a vida na Terra.

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