Desde o início do ano, o rubloperdeuum quarto do seuvaloremrelaçãoao euro e umterçoemrelaçãoaodólar (…) O banco central russo estima que na segunda-feira a fuga de capitais do paísatingiu a marca de 128 bilhões de dólares no anodevidoà crisenaUcrânia e que a inflaçãoultrapassará a marca de 8 %.
Trechoretirado de umartigo no jornalfrancês Le Monde intitulado « Os capitaisfogem da Rússia, Poutinmantém a fachada de serenidade
O líderreformista da UniãoSoviéticapoderia ter dadoum basta noasinsurreições na Alemanha Oriental, Hungria, e Tchecoslováquia. O poderosogrupo de forças soviéticas na Alemanha, lotado na Alemanha Oriental, tinha 338.000 soldadosmuitobemtreinadosem 24 divisões, com 4.200 tanques, 8.000 veículosblindados, 3.800 armas e lança-mísseis e 690 aviões de combate.
Trechoretirado do artigo « Eddy Chevvy », Gorby e a queda do muro, do jornalistaindependenteEricMargolis
Desapega, este é o mote de um site de vendas para atrair usuários. A mensagem é simples: devemos nos livrar de tudo aquilo que um dia foi útil e hoje não é mais, coisas que relutamos em passar para a frente porque convivemos longos anos com elas, ou porque temos muitas lembranças associadas àquele objeto. E o que seria o homem sem suas memórias? Ao desapegar-se o indivíduo inaugura vida nova: deixa o passado para trás, para olhar para o futuro. Torna sua casa menos entulhada, dá espaço para comprar outras coisas que lhe serão mais vantajosas e ainda ganha um dinheiro vendendo algo já velho. Este mote fez muito sucesso e hoje foi incorporado ao vocabulário corrente, para incitar uma pessoa a deixar de pensar em um relacionamento passado ou não ficar perdendo tempo em coisas que não podem ser mudadas. Eu, se fosse amiga da ex-primeira dama Roseane Malta, ex-mulher do ex-presidente Fernando Collor de Melo, teria lhe falado: querida, desapega! Este livro de memórias que ela acaba de lançar « Tudo Que Vi e Vivi”, com acusações sobre as quais não tem provas, soa como despeito de ter sido preterida pelo hoje Senador da República pelo Estado de Alagoas. O melhor que a moça de Canapi deveria fazer é esquecer seu ex e parar de chafurdar em um passado que não volta mais. A atitude de escrever um livro com fofocas é típica de quem passou por um divórcio que lhe deixou um gosto amargo na boca e não consegue refazer a vida.
Há um ditado que diz que « vingança é um prato que se come frio ». A vingança dá bons filmes e histórias. Quem não gosta de acompanhar as peripécias de um personagem que foi injustiçado e que depois volta para fazer seu acerto de contas? Quando o chamamento às falas dá certo e os inimigos são trucidados é uma grande catarse para o espectador leitor. Por outro lado, não é sempre que as vinganças funcionam e mesmo quando dão certo o vingador acaba sofrendo as consequências ou então mudando de atitude. Quem assistiu ao filme argentino de 2009 « O Segredo dos Teus Olhos », de Juan Jose Campanella, sabe do que estou falando. Ricardo Morales, personagem cuja esposa foi estuprada e assassinada por um psicopata, Isidoro Gómez, consegue encontrá-lo e prendê-lo em uma cela em um local distante. Ricardo e Isidoro vivem há anos por assim dizer juntos: Ricardo dá ao criminoso o que comer e o que beber, mas não lhe dirige a palavra, levando uma vida infernal simplesmente para vingar a morte da amada. Em um exemplo mais edificante, o Conde de Monte Cristo, personagem do escritor francês Alexandre Dumas, depois de destruir a vida de todos os inimigos que haviam lhe colocado na prisão do Château D’If, acaba tendo uma lição de vida, desprendendo-se do que o ligava ao seu passado de infortúnio. Ele deixa de nutrir ressentimentos pela amada Mercedes que não o esperou e casou com outro e retoma sua vida com outra mulher, dando-se uma chance de ser feliz eabandonandoa vida focada nas injúrias que sofrera.
Como esses exemplosmostram, a virtude de desapegar é difícil de ser cultivada. Daí que quem a mostra em suas atitudes merece nosso louvor. Prezados leitores, esse introito sobre pessoas vingativas, rancorosas e infelizes serve para eu lhes introduzir um personagem que em minha opinião soube exercer o desapego para o bem de milhões de pessoas em todo o mundo. Falo do ex-líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que quando o muro de Berlim caiu há exatos 25 anos, não caiu na tentação de salvar a honra da URSS e do comunismo e deixou de usar os recursos de que dispunha, conforme colocado na introdução deste artigo. Simplesmente deixou que o castelo de cartas ruísse para que não houvesse derramamento de sangue, para que não houvesse uma lenta e dolorosa agonia do regime soviético, que já dava sinais de iminente colapso desde a década de 70.
Por que Gorbatchev fez isso? Talvez porque via como inevitável a marcha da história,ou porque considerava que os milhões de vítimas de Stalin já eram suficientes no passivo do comunismo, ou porque diferentemente da grande maioria dos líderes políticos que passaram pela face da Terra, seja uma pessoa moralmente decente. Quem conhece história sabe que muitos dos chamados grandes homens e mulheres dedicaram-se na verdade a construir seu próprio sonho de poder e a mobilizar recursos humanos e materiais para isso, não se importando muito com o custo em vidas e destruição. Para ficar em um único exemplo, Napoleão criou um império, estabeleceu as bases jurídicas da sociedade burguesa na França, mas também foi o general que insistiu em uma campanha militar na Rússia e quando tudo deu errado covardemente deixou seus soldados morrerem de frio, de fome e de doenças para voltar mais rápido à França e lutar para se manter no poder.
O irônico é que as pessoas que agem sem ficarem obcecadas pelo podermuitas vezes são consideradas fracas. Gorbatchev é um herói no Ocidente, mas na Rússia ele é visto como tendo sido responsável pela humilhação do país, ao contrário de Stalin, que comandou a vitória contra os nazistas. E quem há de negar isso? Gorbatchev e seu fiel escudeiro, o então Ministro das Relações Exteriores, Eduard Shevardnadze fizeram muitas concessõesmesmo enfrentando a resistência interna dos comunistas linha-dura: permitiram a reunificação da Alemanha, mandaram de volta para casa as tropas soviéticas que ocupavam a Europa Oriental e a região do Báltico, a União Soviética foi desmantelada sem que houvesse nenhuma tentativa de resistência pela força das armas. A promessa que foi feita por Ronald Reagan era de que a OTAN não se expandiria na Europa Oriental e nas fronteiras da Rússia.
Como sabemos hoje, essas promessas foram sistematicamente quebradas por George Bush I e II, por Bill Clinton e por Barack Obama. Os Estados Unidos incentivaram e apoiarama Revolução Laranja na Ucrânia, a Revolução Rosa na Geórgia e hoje querem de qualquer forma que a Ucrânia caia nos braços da União Europeia. A Rússia é vista como pária da tal da “comunidade internacional”como o Irã, e alvo de sanções econômicas. O próprio Gorbatchev, do alto dos seus 83 anos, reclamou recentemente que uma nova Guerra Fria está começando.
Prezados leitores, para aqueles como eu que admiram os raros líderes com algum senso moral a única esperança é que Gorby seja um dia julgado final e favoravelmente pela História, tanto dentro quanto fora de seu país.