Mais uma jaboticaba

Os planos de saúde populares resolvem o problema da área privada que está perdendo clientela, já que boa parte da população está desempregada e com pouco dinheiro para manter seus planos de saúde nos moldes atuais. Já ao congelar investimentos, o governo sinaliza ao mercado que os recursos da União serão usados para garantir o pagamento dos juros da dívida pública, o que certamente contará com os aplausos do mercado.

Trecho de entrevista dada por Sônia Fleury, professora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape/FGV) à revista CAASP edição 25

O governo despendeu no ano passado 397 bilhões de reais com o pagamento de juros da dívida pública, quase o equivalente ao valor gasto com benefícios previdenciários (436 bilhões de reais). Por que não reduzir esse montante em vez de congelar o Orçamento? Seria necessário baixar as taxas de juros para que esse gasto também diminuísse, mas isso só será possível quando a inflação começar a ceder.

Trecho de artigo “Congelar para crescer” publicado na revista Veja de 19 de outubro

    Prezados leitores, acabamos de inventar mias uma versão da jaboticaba, produto genuinamente nacional. Trata-se da Proposta de Emenda Constitucional 241, a chamada PEC do Teto que acaba de ser aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados em Brasília e que pretende congelar os gastos públicos por um prazo de 20 anos. Ela tem características frutíferas porque, de acordo com estudo do FMI, a proposta de imposição de limite às despesas governamentais prevista na PEC do Teto é diferente de outras medidas adotadas alhures pelo mundo.

    Meu objetivo aqui é explicar aos meus leitores o objetivo da PEC, sem ataques pessoais à coitada como têm feito alguns sindicatos como a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação e a CUT, que lhe deram a alcunha de PEC da Morte. Dilma Rousseff, a presidente defenestrada, em entrevista à rádio Guaíba no dia 13 de outubro, chamou-lhe de PEC do mal, PEC contra os pobres e no dia 24 de outubro em evento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, disse que a PEC 241 é grave. Paixões à parte, é possível determinar as metas pretendidas pelo governo e prever seus possíveis efeitos independentemente de inclinações à esquerda e à direita, com base no problema identificado pelas autoridades.

    O problema já foi tratado neste meu humilde espaço inúmeras vezes: o descalabro das contas públicas. O rombo (isto é, saldo negativo de receitas menos despesas) atualmente é de 170 bilhões de reais, e a dívida corresponde a 70% do PIB. O saldo primário, que é o resultado de todas as receitas menos despesas do governo, excetuando gastos com pagamento de juros, ficou em -0,57% do PIB em 2014 e em -1,88% do PIB em 2015, que foi o pior resultado da história. Prevê-se que em 2016 o déficit primário fique um pouco menor, em -1,7%, de acordo com o FMI, que considera que só voltaremos a ter superávit primário em 2020. Trocando em miúdos, não ter um saldo positivo nessa conta significa que não estamos economizando o suficiente para termos uma reserva que nos permita pagar os juros da dívida pública, e esse é o ponto fundamental nessa celeuma toda.

    É o ponto fundamental porque o governo coloca como meta para controlar o crescimento das despesas a um ritmo maior do que as receitas que em 2036 consigamos ter um superávit primário de 4,4% do PIB, portanto uma total reversão do quadro atual. De acordo com as projeções dos economistas José Márcio Camargo e André Gamerman, se não houver esse congelamento dos gastos proposto pela PEC 241, em 2036 teremos um déficit primário de -2,7% o que nos faria bater recorde atrás de recorde nesse quesito. Gerando um robusto saldo positivo estabilizaríamos a dívida em 81,9% do PIB em 2036, ao passo que se mantermos essa tendência de incapacidade de pouparmos para pagar os juros da dívida a relação desta com o PIB dispararia para 166% do PIB. A lógica por trás da PEC é a seguinte: se não fizermos reservas não teremos condições de pagar juros, se não pagarmos os juros teremos que contratar novos empréstimos para cobrir os juros não pagos em condições cada vez mais draconianas impostas pelos credores, leia-se, com juros cada vez mais altos. Fazendo a reserva, isto é, gerando superávits primários, poderemos pagar em dia os juros, e com o tempo conseguiremos melhorar o perfil da dívida, diminuindo-lhe o montante pela incidência de juros menores, já que teremos adquirido a confiança dos credores.

    O que distingue a PEC como uma genuína jaboticaba é o fato de que a proposta do governo não coloca limites à evolução da despesa nominal (que consiste na soma do resultado primário descrito acima e do resultado financeiro do governo, que inclui despesas com juros da dívida). A justificativa é que se houvesse tal limite poderia haver o não pagamento de juros quando tal pagamento acarretasse estouro do teto de resultado nominal. Não pagar juros é quebra de contrato e quebra de contrato aumenta a inflação e os juros cobrados pelos credores daqueles que dão calote. Portanto, coloca-se um torniquete no orçamento do governo para garantir que possamos honrar os pagamentos de nossas obrigações financeiras, mas tal torniquete, por sua própria natureza, implicará que à parte os credores da dívida não haverá garantia nenhuma de que outros serão contemplados com dinheiro do orçamento federal.

    Aí é que mora o perigo. Considerando que há os privilegiados de sempre, que têm direitos adquiridos, será que a corda não arrebentará do lado daqueles que não têm poder de pressão porque dependem da capacidade do governo de investir? De acordo com o jornal O Globo de 23 de outubro, 13.790 juízes brasileiros recebem acima do teto constitucional de R$33.763 pagos aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Isso é conseguido por meio de indenizações, gratificações e outros estratagemas, todos perfeitamente legais, porque não ferem a letra da lei, e todos absolutamente imorais, porque ferem o espírito do artigo 37, inciso XI da Constituição.

    Nosso Congresso mostrou-se rápido em aprovar essa PEC para dar tranquilidade ao mercado, leia-se ao mercado financeiro. Terão nosso deputados e senadores coragem para coibir esses abusos dos privilegiados com direitos adquiridos? Considerando o desprezo velado que os membros do Judiciário claramente demonstram pelos membros do Legislativo, como a mostra a ilustríssima Cármen Lúcia recusando-se a encontrar com o Presidente do Senado Renan Calheiros, e o poder dos magistrados de mandar os congressistas para a cadeia, será que podemos ter esperança de que o Legislativo conseguirá convencer o Judiciário a dar sua parcela de contribuição ao esforço de economia? Isso para não falar dos privilégios dos próprios legisladores, para não ficarmos só no Judiciário.

    Prezados leitores, a PEC 241 tem boas intenções, mas na prática, ela corre o risco de resolver um descalabro e criar outro. Controlaremos o crescimento da dívida pública à custa de fazermos com que a atuação do Estado limite-se à realização das despesas obrigatórias. Na prática, as despesas discricionárias, cujo volume mostra a capacidade de investimento público em infraestrutura, no sentido amplo do termo, isto é física e imaterial, serão jogadas aos leões, no coliseu povoado pelos empresários das PPPs, pelas operadoras de planos que terão um papel cada vez maior e não necessariamente melhor na prestação de serviços de saúde, pelas universidades particulares que conseguem um mercado cativo de clientes por meio do FIES independentemente da qualidade do diploma que oferecem.

    A PEC 241 seria uma ótima ideia se houvesse um pacto social em que os diferentes grupos cedessem um pouco e chegassem a um consenso. Se ela for aprovada e incorporada à Constituição Federal sem que os beneficiários de direitos adquiridos e aqueles que têm poder econômico para influenciar políticas públicas sejam chamados à ordem, ela significará na prática a renúncia do Estado brasileiro de ter algum papel no estímulo ao nosso desenvolvimento.

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Morrendo pela boca

É melhor eu chupar umas balas Tic Tacs no caso de eu começar a beijar a mulher. Você sabe, eu me sinto automaticamente atraído por mulheres bonitas – eu simplesmente começo a beijá-las. É como se fosse um imã. Somente um beijo. Eu nem espero. E quando você é uma estrela, elas deixam você fazer isso. Você consegue fazer qualquer coisa. Agarrar a x****a da mulher. Você consegue fazer qualquer coisa.

Trecho de uma conversa que o candidato a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump teve com Billy Bush em 2005 e tornada pública dois dias antes do debate com a candidata democrata, Hillary Clinton

Meses depois de Diana ter morrido em um acidente automobilístico em 1997, Trump disse a Stern que ele acha que poderia ter dormido com ela, afirmando que ela tinha “uma beleza de supermodelo.” Em uma outra entrevista em 2000, Trump disse que ele teria dormido com ela “sem pestanejar” e que ela tinha altura, beleza, pele.” Ele acrescentou, “Ela era louca, mas esse é um detalhe insignificante.”

Trecho retirado do artigo intitulado “Trump disse coisas muito grosseiras sobre as mulheres no programa de Howard Stern”, em que o jornalista relaciona as avaliações que o magnata americano fez de diferentes mulheres famosas

    Prezados leitores, o festival de baixarias nas eleições presidenciais dos Estados Unidos continua correndo solto. É E uma guerra suja em que os dois lados utilizam todas as armas de que dispõem. O clã Bush nunca perdoou Donald Trump por ter defenestrado Jeb Bush da candidatura republicana da maneira humilhante em que o dublê de Benito Mussolini fez, chamando o irmão de George de pessoa sem energia. A vingança veio a galope na sexta-feira, dia 7 de outubro, em que foram divulgadas fitas contendo comentários indecorosos de Trump sobre as mulheres em geral feitos a um primo de George e Jeb. O revide do aprendiz ocorreu um pouco antes do debate, quando ele realizou uma coletiva de imprensa ladeado por mulheres que alegam ter sido estupradas por Bill Clinton: Kathleen Willey, Paula Jones e Juanita Broaddrick, a qual afirmou aos jornalistas que “Trump pode ter tido coisas ruins sobre as mulheres, mas Bill Clinton me estuprou e Hillary Clinton me ameaçou”.

    Aliás, essa foi a linha de defesa adotada pelo próprio candidato republicano durante o debate realizado no domingo dia 9 de outubro, em que fez referência explícita às alegações de estuprador que correm contra Bill Clinton, e que até agora nenhum candidato do partido havia abordado. Nos últimos dias pessoas vestidas com uma camisa em que há a fotografia de Bill Clinton seguida da palavra estupro foram vistas gritando “Bill Clinton é um estuprador” em comícios de apoio a Hillary Clinton. Em suma, os ânimos estão acirrados, porque a eleição nos Estados Unidos transformou-se em uma disputa sobre quem tem mais esqueletos no armário. Qualquer que seja o resultado, os perdedores ficarão com um gosto amargo na boca.

    A essa altura é forçoso eu reconhecer que as chances de Donald diminuíram consideravelmente depois dessa demonstração clara que mulheres são para ele um objeto sexual e nada mais. Convencer mulheres com educação universitária a votarem em um homem que dá notas às representantes do sexo feminino e às partes do seu corpo como quem avalia uma égua reprodutora é uma tarefa impossível. Isso pode ser decisivo para estabelecer quem será o vencedor, considerando que em 2008 56% das mulheres votaram em Barack Obama contra 43% que votaram em John McCain, e que em 2012 55% das mulheres votaram em Barack Obama contra 44% em Mitt Romney. Se John McCain e Mitt Romney, que nunca fizeram um centésimo das observações machistas de Trump sobre as mulheres, não conquistaram o voto feminino, agora então haverá um massacre nas urnas.

    Quem acompanha minha humilde trajetória de blogueira sabe que gostaria de ver o porco sexista aprendiz de Mussolini na presidência dos Estados Unidos para o bem da paz mundial. O perigo de uma hecatombe nuclear está cada vez mais concreto diante dos acontecimentos na Síria, em que a Rússia apoia a manutenção de Assad no poder e os Estados Unidos querem Assad fora de qualquer jeito. No debate de domingo, o candidato republicano foi claro sobre sua intenção de unir esforços com a Rússia para destruir o grupo islâmico ISIS. A candidata democrata, por sua vez, nunca deixa de atacar a Rússia e Putin, a quem acusa de fazer espionagem no seu partido e de estar mexendo os pauzinhos para eleger Donald Trump. A escalada de confrontações a cada dia torna-se mais séria. Francois Hollande, o presidente da França, num rasgo de perfeita hipocrisia anunciou no dia 10 de outubro que vai denunciar os russos por crimes de guerra em Aleppo à Corte Internacional de Justiça, como se houvesse mocinhos em um conflito em que grandes interesses geopolíticos das potências mundiais estão em jogo, dos quais tratei há algum tempo aqui e por isso não repetirei minhas próprias palavras.

    Infelizmente a coisa está preta para o aprendiz. Ele tem a mídia toda contra ele, aliás em nível mundial, pois todos os grandes veículos de comunicação que se prezam enfatizam seus defeitos e não veem nele nenhuma qualidade. Nos dois debates que já foram realizados a preferência dos mediadores por Hillary Clinton fica óbvia: as perguntas embaraçosas são para Donald, que é alvo igualmente de contestações das suas respostas de maneira fulminante. Esse viés a favor da candidata democrata afetou o desempenho no primeiro debate realizado em 26 de setembro em Nova York de ambos os candidatos. Hillary, sentia-se bastante confortável, pois não era desafiada pelo mediador, e teve oportunidade de exibir suas qualidades de advogada que sabe falar e sabe lidar com os detalhes de uma situação. Donald ao contrário, permaneceu na defensiva, pois era atacado por Hillary e pelo mediador, Lester Holt, ao mesmo tempo.

    No domingo passado, já calejado, o candidato republicano partiu para o ataque e foi capaz de mostrar ao longo do debate que Martha Raddatz e Anderson Cooper não tinham a mínima preocupação com a objetividade, pois os esqueletos que levantaram diziam respeito a Donald Trump e nenhum dizia respeito a Hillary Clinton. O escândalo dos e-mails secretos mantidos em um servidor pessoal, a desastrosa morte do embaixador americano na Líbia, J. Christopher Stevens em 2012 por conta de um ataque terrorista facilitado por falhas na segurança admitidas pela própria Secretária de Estado àquela época, as declarações pouco lisonjeiras de Hillary sobre os eleitores de Donald Trump foram todos abordados em primeiro lugar pelo candidato republicano, e os mediadores limitaram-se a pegar carona, sem aprofundar-se muito.

    Prezados leitores, apesar de ter plena consciência que eu não estaria no radar dele, pois um macho como Donald Trump não pega mulheres acima de 35, como ele próprio disse, torço para que este boca-rota ainda consiga dar a volta por cima. Como muitos homens, o aprendiz é um falastrão, que se pavoneia de conquistar mulheres reais e imaginárias. Pode ser que muitas mulheres tenham se rendido ao seu poder e a seu status de celebridade, mas um dos seus objetos de desejo, a finada e aristocrática Princesa Diana, nunca deu a mínima pelota àquele americano cafona, apesar de ele ter-lhe mandado flores em uma das ocasiões em que ela esteve na “América”. Toda essa celeuma em torno do que um menino crescido falou para outro menino crescido é apenas uma cortina de fumaça para desviar a atenção dos americanos sobre as reais questões importantes que estão em jogo e que não são discutidas porque não interessa a grupos influentes discutir: o desemprego estrutural que afeta milhões de americanos causado pela globalização, as guerras imperialistas travadas no Oriente Médio que só fazem aumentar a instabilidade na região, o tráfico de armas, de drogas e de pessoas no sul dos Estados Unidos. As soluções de Trump para esses problemas ferem vários interesses há muito entrincheirados e é por isso que ele é pintado como um ser “beyond the pale” como se diz em inglês. Em suma, o aprendiz provavelmente vai morrer pela boca, sem sequer ter feito algo de realmente revoltante. Enquanto isso, Bonnie e Clyde terão mais uma oportunidade para mostrar seus truques.

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Briga de galos

[…] estamos passando de uma era de escassez de informações para uma era de superabundância de informações. Por definição, os poderosos no futuro continuarão a exercer domínio sobre a mente dos homens, mas os métodos de manipulação serão alterados. A tecnologia do poder está mudando da ênfase do passado na privacidade e ocultação para as técnicas mais contemporâneas de distração, viés, concepções erradas e estupidez deliberada.

Trecho retirado do artigo “De Orwell para Gadwell e de volta para Orwell” escrito pelo jornalista americano Steve Sailer (1958-.

O poder não pode ser destruído, somente dividido e distribuído. Ele pode despedaçar-se em uma guerra anárquica de todos contra todos. Ou ele pode solidificar-se como uma tirania. Ou então pode consolidar-se como uma sociedade livre governada por leis universalmente reconhecidas.

Trecho do livro “A Raiva contra Deus – como o ateísmo levou-me à fé”, do jornalista britânico Peter Hitchens (1951-

    Prezados leitores, na semana passada tentei ser otimista, contra minha natureza pessimista, que de acordo com meus estudos é geneticamente determinada pelas condições em que o homo sapiens viu-se nas savanas africanas. Nesta semana permitam-se voltar ao meu modo default, e desfiar minha ladainha de lamentações pelas pesquisas eleitorais. Em uma era como a nossa, em que pressupomos que quanto mais informações melhor, as pesquisas são vistas como um serviço à democracia, pois permitem aos eleitores decidir sobre o voto com mais fundamentação, com base nas reais chances do candidato.

    Discordo dessa posição porque no Brasil as pesquisas estimulam um clima de corrida de cavalos, em que os eleitores ficam ansiosos por apostar no puro sangue com chances de vencer. A eleição de João Doria para a prefeitura de São Paulo já no primeiro turno, é um exemplo claro da influência desmesurada das porcentagens sobre nossa decisão de voto. Os paulistanos, assim como os demais brasileiros, foram bombardeados pelos institutos de pesquisa com os índices de aprovação dos “cavalos” que estavam no páreo. Esses institutos asseguram-nos que são sérios, que seus métodos de amostragem permitem uma boa representatividade da população. Não digo nem que sim nem que não, e ao que me consta eles nunca passaram por uma auditoria, apesar de prestarem um serviço que é cada vez mais relevante em nossa democracia que é unicamente eleitoral.

    Claro, não há necessidade legal de o IBOPE ou o DATAFOLHA serem fiscalizados, não são empresa de capital aberto que precisam ter seus números validados ou terem seus controles internos examinados por auditores independentes. Por outro lado, espanta-me que nós reclamemos tanto das urnas eletrônicas, que não nos dão recibo do voto e levam a toda sorte de teorias sobre a manipulação dos resultados, e acreditemos piamente que perguntar as intenções de voto de algumas centenas de pessoas na rua equivale a saber com certeza que candidato os milhões vão escolher no dia da eleição. Não me entendam mal. Seria temerário da minha parte dizer que os institutos de pesquisa deliberadamente distorcem os números, mas tomar os números obtidos pelos pesquisadores como absolutos é um pouco ingênuo do ponto de vista estatístico.

    Infelizmente é assim que nós brasileiros participamos do processo democrático. As únicas notícias que nos interessam a respeito dos candidatos são os índices que eles conseguem, sempre expostos na capa dos jornais. É nesse sentido que as eleições municipais em São Paulo foram emblemáticas. As últimas pesquisas indicavam Dória na frente e o atual prefeito Fernando Haddad do PT dando um “sprint” para chegar ao segundo turno. Isso causou pânico naqueles que consideravam que o principal objetivo neste momento é destruir o PT. Afinal temos sido informados há vários meses que o partido montou o maior esquema de corrupção na história do Brasil. Não sei se isso é verdade. A respeito se o PT é o partido mais corrupto que já tomou o poder no país devo fazer um parêntese.

    Há enganação nos trópicos desde que os portugueses seduziram os índios com suas miçangas em troca do pau-brasil. Para relembrar-lhes a história, os europeus as consideravam quinquilharias, já os nativos as viam como preciosidades exóticas, afinal os primeiros habitantes daqui não dominavam a técnica de fabricação de vidro. Quando eu era criança, o escândalo financeiro da época era o caso Delfin, depois vieram as tramoias de Naji Nahas na bolsa de valores, o escândalo do BANESPA em São Paulo, o do BANESTADO no Paraná. A diferença entre todos eles e o mensalão e o petróleo, característicos da era PT, é que há mecanismos mais eficientes de investigação atualmente, mecanismos estes que por razões que saberemos talvez daqui a algumas décadas estão sendo usados de maneira especialmente eficiente contra a turma dos defensores dos trabalhadores.

    O que importa reter a respeito desse meu parêntese é que a enxurrada de manchetes sobre prisões de peixes graúdos, trechos escabrosos de delações premiadas e valores vultosos de propinas levaram nós brasileiros a crer que o partido de Lula é um antro de corrupção, e portanto, é preciso que nos livremos desses agentes do mal. Daí a sofreguidão vista em São Paulo em prol do voto útil logo na largada, quando a sensatez deveria orientar-nos a votar de acordo com nossas convicções sobre a melhor proposta, para depois no segundo turno escolhermos o menos pior. Infelizmente, as pesquisas divulgadas regularmente permitiram esse tipo de comportamento utilitarista de transformar o primeiro turno em plebiscito de repúdio ao PT no poder.

    Nesse dérbi, Celso Russomano viveu novamente a sina de cavalo paraguaio, pecha da qual talvez ele não mais se livre, típica da nossa mentalidade de vermos e pior, vivenciarmos, as eleições como rinhas, quando na verdade deveriam ser oportunidade de cobrarmos propostas de candidatos e de exigir deles determinados compromissos. Em tal clima de mera luta pelo poder de estar por cima da carne seca não é de se admirar que, de acordo com dados do jornal O Estado de São Paulo, neste ano ao menos 96 candidatos, pré-candidatos e cabos eleitorais foram assassinados. Podem chamar-me de rabugenta, ou de simplista, mas nossa obsessão com pesquisas eleitorais é tanto um sintoma dessa mentalidade de nós contra eles, quanto uma causa, porque estimulam nosso sentimento de competição em relação ao páreo eleitoral.

    Vivemos um momento delicado em nosso país. O governo Temer acaba de anunciar nos jornais, como esforço de propaganda, que vai tirar o país do vermelho. O que essa frase de efeito, típica dos marqueteiros, significa? Que estamos atolados em problemas e que nossos mandatários irão resolvê-los? Ou que o Brasil chafurdou durante 13 anos em políticas de esquerda e que agora é hora de uma guinada à direita? Se for este o caso, o que significará para os brasileiros comuns a guinada à direita? Que o ônus das reformas que nos dizem ser urgentemente necessárias recairá sobre aqueles que não tem lobby constituído para exercer pressão sobre as instituições que decidem, e somente são chamados a participar da democracia eleitoral, vulgo briga de galos na hora da votação? Qual o propósito de usar figuras de linguagem que nos deixam alarmados? Fazer-nos mais resignados a aceitar medidas duras de engolir em tempos normais?

    Prezados leitores, como assinala o jornalista inglês Peter Hitchens, o poder sempre existirá e o ser humano, anjo caído que é, sempre abusará do poder se tiver a oportunidade de fazê-lo. A questão que deveria ser a principal para nós não é simplesmente como erradicar o PT do poder de uma vez por todas e substituir os vermelhos por outra patota menos chamuscada por denúncias. Deveria ser como distribuir melhor os poderes republicanos para sermos mais bem governados. Talvez enfocar isso seja pedir muito para nós brasileiros, que gostamos tanto das brigas de galo.

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Arautos do caos ou senhores da luz?

Evoluímos para suspeitarmos de tudo e nos preocuparmos com tudo: o medo e a preocupação são ferramentas de sobrevivência. Os caçadores e coletores que sobreviveram às tempestades repentinas e aos predadores eram aqueles que tendiam a perscrutar o horizonte em busca de novas ameaças, em vez de sentarem e apreciarem a paisagem. Eles nos transmitiram os genes do estresse. Essa é a razão pela qual achamos histórias sobre coisas que dão errado muito mais interessantes do que histórias sobre coisas que dão certo. Essa é a razão por que más notícias vendem e os jornais estão cheias delas.

Trecho do artigo “Nossa era de ouro”, escrito por Johan Norberg, jornalista sueco autor do livro “Progresso: 10 razões para esperar pelo futuro”

Na crise, Brasil vira ‘rei’ do pote de plástico: Busca por porta-mantimentos e marmitas faz Tupperware brasileira liderar vendas globais

Título de um artigo publicado no jornal O Globo de 25 de setembro sobre o aumento de vendas da empresa americana Tupperware no Brasil devido à diminuição na procura de refeições fora do lar

    Prezados leitores, para quem não tinha ouvido falar de Johan Norberg, permitam-me apresentar-lhes um sujeito de 43 anos, cujo objetivo em seu último livro é mostrar que nunca houve uma época melhor na história da humanidade para estar vivo. Afinal de contas, a pobreza, a desnutrição, o analfabetismo, o trabalho e a mortalidade infantil estão diminuindo a um ritmo jamais visto antes. O risco de sermos vítimas de guerra, ditadura ou desastre natural é o menor jamais registrado. E, apesar de todas essas melhorias gritantes na qualidade de vida do homo sapiens, este pobre bípede continua a focalizar somente o que acontece de ruim, a dar ouvidos a quem fala sobre o caos iminente, como Donald Trump nos Estados Unidos, ou Marine Le Pen na França, e a considerar que os bons tempos já passaram e que hoje tudo é decadência.

    A explicação de Norberg, conforme descrita acima, é a de que esse pessimismo e essa angústia permanentes em relação ao futuro ajudaram nós seres humanos a sobrevivermos nas savanas africanas e garantirmos nossa perpetuação como espécie, pelo menos até agora. Em suma, no esquema darwiniano, é fundamental seguir à risca a lei de Murphy, formulada por um cientista da NASA, Edward Murphy, pela qual devemos considerar o fracasso como certo para melhor prepararmo-nos contra quaisquer eventualidades. O lado negro de sempre vislumbrar o pior cenário é que acabamos negligenciando as imensas conquistas já realizadas e pior, ficamos obcecados com o que acontece de ruim, como se a derrota fosse a norma.

    Não restará dúvida a quem lê meus humildes artigos que pertenço ao clube dos arautos do caos. Em uma semana, reclamo da introdução do parlamentarismo pelo tapetão por meio do impeachment de Dona Dilma Rousseff. Na outra semana, proclamo meu voto em Donald Trump com a justificativa que se Hillary Clinton for eleita a chance de uma Terceira Guerra Mundial será exponencialmente maior. Na semana seguinte, comento a divisão entre rentistas que vivem de emprestar dinheiro ao governo, e trabalhadores que estão sentindo na carne a desindustrialização precoce do Brasil. Em suma, meu enfoque é sempre naquilo que está dando muito errado, ou que pode dar muito errado.

    Para fazer um mea culpa e tentar compensar todo o meu irrefreável pessimismo, proponho-me nesta semana a tentar ver o lado positivo das coisas. Afinal, se o povo brasileiro não está mais comendo em restaurantes como antes devido à inflação da alimentação fora de casa ter atingido 10,38% no ano passado, isso levou a algo bom. A Tupperware está investindo na expansão de sua fábrica em Guaratiba, no Rio de Janeiro, e o número de consultores de venda dos famosos potinhos aumentou 19% entre abril e junho deste ano.

    Muitos de nós reclamamos que está difícil votar nas eleições municipais de 2 de outubro, que o nível dos candidatos é muito baixo, e que é melhor pagar a multa ou justificar a ausência na cabine de votação do que ter que escolher o menos ruim. Mas será que nossa insatisfação com os candidatos não é uma oportunidade de nós tentarmos ter uma influência maior no processo de escolha pelos partidos? Nesta primeira eleição em que as contribuições de pessoas jurídicas estão proibidas, só 0,16% dos eleitores brasileiros realizaram doações, de acordo com dados coletados pelo jornal O Estado de São Paulo. Isso significa que à parte reclamarmos da corrupção dos políticos, fazer piada das promessas não cumpridas, lavamos as mãos e não assumimos nenhuma responsabilidade pelo aprimoramento dos realizadores de fato da democracia.

    Não doamos porque desconfiamos deles, o que os leva a cair inevitavelmente nos braços de empresas que fazem contribuições com o objetivo de conseguir vantagens na forma de contratos, subsídios e tal. Será que nossa completa desolação com aqueles que nos representam, nossa generalização de que todos são inapelavelmente imprestáveis, não nos oferece a chance de tentar mudar esse estado de coisas? Talvez se começássemos a chamar a atenção dos nossos políticos, fazê-los virar o rosto para a população em geral, eles começariam a mudar de comportamento. Para quebrar o gelo, solidificado por centenas de anos de distanciamento, poderíamos começar assim: “Ei, estou aqui, doei um pequeno valor para sua campanha, espero que você em troca ouça meus pleitos, que aliás são bem humildes, compatíveis com a pequenez da minha doação. Não quero concessões, outorgas, contratos, quero simplesmente que haja um clinico geral 24 horas por dia, sete dias por semana no posto de saúde perto da minha casa.”

    Em outras palavras, será que a proibição de as pessoas jurídicas fazerem doações não é uma oportunidade de descentralizar as demandas feitas aos políticos, pulverizá-las em uma miríade de pequenos pedidos que dificultaria o toma lá dá cá porque aumentaria exponencialmente o número de partes no negócio? Será que a diminuição da possibilidade de um pequeno grupo de grandes doadores ter influência sobre as decisões dos nossos representantes não os obrigaria a formular e executar verdadeiras políticas públicas que contemplassem as necessidades de milhares de pequenos doadores que não querem ter o privilégio de fornecer plataformas de petróleo ou construir hidroelétricas na Amazônia, mas simplesmente ter uma melhor qualidade de vida?

    É verdade que como aponta Marlon Reis, do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral, o brasileiro não tem a cultura de doar para políticos com os quais eles têm alguma afinidade ideológica, mas sim de trocar seu voto por um bujão de gás, por um enterro, por uma dentadura, por uma inscrição no Bolsa Família. Ora, será que essa vivissecção que nós brasileiros estamos testemunhando e que está nos mostrando as entranhas do modo de fazer política no Brasil não é um chamado às falas de nós mesmos, os eleitores que tradicionalmente temos deixado a política a cargo dos profissionais, com graves consequências, como estamos vendo? Que tal se aproveitássemos a oportunidade dada pelo espetáculo patético dos nossos representantes de esquerda, de direita e de centro para irmos à luta e dedicarmos uma parte do nosso tempo a fazer política? Por exemplo, participar de audiências públicas, mandar e-mail aos membros do Legislativo, cobrar-lhes providências, denunciarmos más práticas aos jornais.

    Prezados leitores, confesso que o viés pessimista que predomina em minha personalidade está zombando dessa minha tentativa de ver o lado positivo da crise política brasileira e murmurando que minhas propostas são quimeras. Quimeras hoje, poderão ser realidade em alguns anos se virmos a Operação Lava Jato, o desmanche do PT, a falta de caráter do governo Temer (no sentido macunaímico e amplo do termo) como um fundo de poço do qual a saída só pode ser a luz do sol lá em cima. Oxalá tenhamos a coragem de sairmos da nossa zona de conforto e termos a coragem de ser otimistas e colocarmos a mão na massa.

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Tudo em família

Quem criou o FI-FGTS na Caixa foi o Moreira Franco. Toda a operação no Porto Maravilha foi montada por ele. No programa de privatização, dos R$ 30 bilhões anunciados, R$ 12 bilhões vêm de onde? Do Fundo de Investimento da Caixa.

Trecho da entrevista do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ao jornal O Estado de São Paulo em 18 de setembro. Cunha é, de acordo com o jornal, suspeito de ter cobrado da empreiteira Carioca Engenharia R$ 52 milhões de propina em troca da liberação de verbas do Fundo de Investimento (FI-FGTS) para o Porto Maravilha, projeto de revitalização da região portuária

Para parafrasear Mark Twain, todo mundo reclama da desigualdade, mas ninguém faz nada a respeito. O que eles fazem na realidade é usar a “desigualdade” para projetar sua própria visão sobre como tornar a sociedade mais próspera e ao mesmo tempo mais igual. Essa visão depende muito do fato de eles verem o grupo dos 1% mais ricos como inovador, inteligente e criativo, criando riqueza ao ajudar o resto da sociedade – ou de verem o grupo dos 1% mais ricos, conforme os grandes economistas clássicos escreveram, como a camada mais rica da população que consiste nos rentistas, que obtêm sua renda e riqueza dos 99% como proprietários ociosos, monopolistas e banqueiros predadores.

Trecho do artigo do economista canadense Michael Hudson intitulado “Celebrando o grupo do 1% mais ricos”, publicado em 19 de setembro

    Prezados leitores, finalmente os deploráveis parvenus estão sendo colocados para escanteio. O juiz Sérgio Moro, que acaba de voltar de mais um ciclo de palestras nos Estados Unidos, aceitou a denúncia do Ministério Público federal contra o ex-presidente Lula que, portanto, agora é réu e responderá a processo penal. (Um aparte: Podem chamar-me de fanática da teoria da conspiração, mas intriga-me sobremaneira como os americanos descobriram tão precocemente os dotes intelectuais do Senhor Moro. Talvez daqui a algumas décadas saibamos o porquê desse amor à primeira vista entre a inteligência jurídica estadunidense e o juiz curitibano). As chances de Lula candidatar-se em 2018 ficam menores, porque até lá ele poderá ter adquirido uma ficha suja. Assim, o perigo de o povo deixar-se levar pelo carisma de Lula será neutralizado pela atuação firme do Judiciário, que o condenará por ser o principal beneficiário do esquema heroico montado pelo PT para conseguir dinheiro para campanhas.

    Perdoem-me o adjetivo utilizado, mas considerando que o partido nunca foi da inteira confiança dos capitalistas tupiniquins, não é de surpreender que o PT tenha se valido do acesso à Petrobras proporcionado pela eleição de Lula para garantir dinheiro para o partido. A angústia das pessoas de esquerda em um país tão desigual quanto o Brasil é sempre muito grande. Por mais que ela contemporize com as demandas dos donos do poder, como Lula fez nomeando banqueiro para o Banco Central e mantendo a política econômica de FHC, o grupo dos 1% mais ricos sempre desconfiará de um indivíduo que viajou de pau de arara. Daí talvez a sofreguidão em obter fontes alternativas de recursos.

    Com Lula sendo imobilizado lentamente pelas pauladas jurídicas das delações premiadas, a novidade mais importante que importamos dos Estados Unidos nas últimas décadas, abre-se a oportunidade para a volta dos profissionais ao poder. Chega de erros crassos na língua pátria, de ganância mal disfarçada, voltemos àqueles que sabem fazer as coisas com sutileza e mesóclises. O homem forte do governo, nos diz o agora execrado Eduardo Cunha, é Moreira Franco, que está com Michel Temer em Nova York falando com os detentores do vil metal verde sobre o novo esquema de parcerias público privadas. Por favor, não me entendam mal. Em um governo formado por um eminente constitucionalista cujo português é irretorquível, a palavra esquema tem um sentido unicamente positivo. Significa um arranjo institucional que provê a segurança jurídica aos investidores para que possam considerar seriamente a possibilidade de colocar seu dinheiro em obras de infraestrutura no Brasil, criando empregos, aumentando a gama de serviços públicos colocados à disposição dos brasileiros e a cereja do bolo, criando riqueza.

    A esse respeito, peço-lhes a gentileza de não serem cínicos o suficiente para acreditar nas maledicências do ex cappo di tutti capi Cunha sobre Moreira Franco. Em um governo de notáveis, esquema de privatização nunca é um toma lá dá cá entre empresários espertos que tomam emprestado recursos públicos, fazem obras meia-boca e cobram pedágios e taxas exorbitantes pelos serviços, sem que as agências reguladoras tenham uma atitude lá muito firme com os concessionários, permissionários, contratados e quejandos. A era dos esquemas, do Mensalão, do Petrolão, chegou ao fim. Digo e repito, temos agora o privilégio de sermos governados pelos notáveis.

    Voltando a Moreira Franco, cujo cargo oficial é o de Secretário Executivo do Programa de Parcerias e Investimentos a árvore genealógica do ex-governador do Rio de Janeiro é impressionante. Nada de Silvas, não. Wellington Moreira Franco, doutor pela Sorbonne, foi casado com Celina Vargas do Amaral Peixoto, bibliotecária e socióloga, filha de Ernani do Amaral Peixoto e Alzira Vargas do Amaral Peixoto, a filha predileta do pai da nação brasileira, Getúlio Dornelles Vargas. O genro do genro, por sua vez, tem como genro Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados e filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, originário de ilustre família paraibana. Em suma, conexões notáveis.

    A esta altura devo confessar-lhes que tanto resplendor me assusta. Livramo-nos da esquerda corrupta, mas será que o impeachment nos levou a cair nos braços da direita corrupta? Um não bastava no governo de esquerda “modernizada” de Lula, agora temos dois banqueiros no poder, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, cuja meta fiscal garante apenas que as dívidas para os que vivem de emprestar dinheiro ao governo sejam pagas em dia. Para gerir as privatizações que farão caixa para o governo, o douto Temer escolheu um homem que tem um histórico no mínimo sujeito a questionamentos.

    De fato, será que Moreira Franco simplesmente passará os serviços públicos nos cobres para criar monopólios em favor de quem vive do dinheiro alheio? De que natureza serão as mudanças nas condições das PPPs? Será simplesmente para continuar com a velha prática de fazer os recursos do BNDES acessíveis em troca de pífias contrapartidas, tudo em prol da segurança jurídica para os investidores? Enquanto isso, nós, que não pertencemos ao grupo dos 1% mais ricos, seremos agraciados com a cota de sacrifícios: reforma da previdência, flexibilização da CLT, facilitação da terceirização de serviços, em tramitação no Senado, que nada é mais do que uma maneira de driblar direitos trabalhistas.

    Prezados leitores, para os 99% dos que não têm facilidade de crédito como os agraciados com PPPs e os grandes credores de títulos públicos, o futuro neste fim de 2016 parece bastante incerto. Esperemos que esta nova família que está no poder não seja um governo apenas para a família dos que conhecem as pessoas certas nos locais certos.

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